quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

[Resenha] "Riacho Doce", por José Lins do Rego

O que é o amor, onde vai dar?
Parece não ter fim
Uma canção, cheirando a mar
Que bate forte em mim

      Inicio essa resenha sobre o romance "Riacho Doce" com o trecho da belíssima canção "O Que é o Amor?", de Selma Reis, que, não por acaso, faz parte da trilha sonora da minissérie homônima inspirada no romance. Além disso, a canção citada casa-se perfeitamente com todo o clima dessa obra literária de José Lins do Rego.

     Um amor aparentemente impossível entre a estrangeira Edna e o pescador Nô, cercado pelas belezas naturais de Maceió e pelo misticismo da poderosa e influente Vó Aninha.

     Escrito em 1939, o romance é considerado como um dos mais belos da literatura brasileira.




Informações


Autor: José Lins do Rego
Editora: BestBolso
Gênero: Romance Brasileiro
Ano: 2009
Páginas: 280




Sinopse



      Riacho Doce, uma pacata vila de pescadores em Maceió. Esse é o cenário de mistérios, traições e de uma paixão sem limites. A bela Edna chega à pequena cidade com o marido Carlos. Lá se encanta com a beleza do lugar e com o pescador Nô. Os dois vivem um romance proibido despertando o ódio da influente Aninha, avó de Nô, uma mulher que usa misteriosos poderes para dominar seu neto.




Resenha


     Sempre tive muita curiosidade em ler o romance "Riacho Doce". Parte desse interesse veio por influência da minissérie produzida pela Rede Globo, em 1990. Ainda não assisti a minissérie, mas fiquei bastante interessado na história ao pesquisar sobre ela. Além disso, sou um grande admirador da literatura brasileira. E "Riacho Doce" é uma obra que não deve faltar na lista dos leitores que apreciam o gênero.

     "Riacho Doce" me surpreendeu de forma muito positiva. Primeiro pela sua narrativa. Apesar de ter sido escrito há tanto tempo, o romance de José Lins do Rego continua atual, com uma linguagem de fácil entendimento. Ele pode parecer um pouco maçante em alguns momentos, devido às extensas descrições que o autor faz dos personagens, lugares, das emoções, etc. Mas para mim isso não foi problema. Aliás, foi um dos pontos positivos. Ao expor as belezas naturais de Riacho Doce, o autor nos leva ao cenário da história de forma tão real, que parece que estamos lá, sentindo o vento, a brisa do mar, o calor do sol, as melodias da terra.

      Sobre os personagens, o autor criou tipos fortes e marcantes, que dificilmente serão esquecidos por quem tem a oportunidade de conhecer a obra. Como esquecer a fragilidade de Edna, a frustração de Carlos, a prepotência de Vó Aninha, o espírito desapegado de Nô? Esses e outros personagens com diversas características peculiares, tão bem expostas no livro, constituem uma galeria de tipos interessantes.

      A minissérie produzida pela Rede Globo foi ao ar entre 31 de julho e 05 de outubro de 1990, em 40 capítulos. Foi adaptada por Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn e dirigida por Paulo Ubiratan. No elenco principal Vera Fischer interpretava a protagonista Eduarda (Edna, no livro), Carlos Alberto Riccelli deu vida ao Nô, Fernanda Montenegro brilhou na pele da poderosa Vó Manuela (Vó Aninha) e Herson Capri viveu Carlos.

Carlos Alberto Riccelli e Vera Fischer e a boa sintonia na pele dos protagonistas Nô e Eduarda na minissérie "Riacho Doce"

     O livro é divido em 3 partes. Na primeira, "Ester", é narrada a infância e a adolescência de Edna e seu relacionamento com a professora Ester. A segunda, "Riacho Doce" narra a chegada da sueca com seu marido, Carlos, ao vilarejo. E a última, "Nô", narra o encontro e a paixão avassaladora da loira pelo jovem mestiço.

     O amor entre Edna e Nô é, sem dúvidas, o maior destaque do romance. A conexão entre os dois é tão forte, veemente, que é impossível não ficar apreensivo em saber em como essa cativante história de amor se findará.

      O final, apesar de ter me surpreendido, me deixou bastante satisfeito, porque foi bastante coerente. No geral, é um livro que deixa boas recordações e um saldo positivo.

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