quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

[Resenha] "Serena", por Ron Rash

      Crise econômica, corrupção e obsessão são os principais temas do romance "Serena", escrito pelo americano Ron Rash e publicado originalmente em 2008, lançado no Brasil apenas em 2015 pela editora Intrínseca.

      Com roteiro do próprio autor e direção de Susanne Bier, "Serena" foi adaptado para o cinema em 2014, com Jennifer Lawrence e Bradley Cooper nos papéis principais.

Uma narrativa brilhante, que equilibra beleza e violência, paixão e ódio, impiedade e amor.




Informações


Título original: Serena
Autor: Ron Rash
Tradução: Claudio Carina
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 320



Sinopse



       Pemberton, um rico madeireiro, e sua esposa, Serena, são um casal ambicioso, determinado a derrubar todas as árvores das montanhas da Carolina do Norte para aumentar sua fortuna durante a Grande Depressão. Mas um projeto de parque nacional ameaça esses planos. 


      Pemberton passa a subornar as pessoas mais influentes para manter sua propriedade e seu poder. Já Serena, sem escrúpulos, recorre a outros argumentos: a força, as armas e a crueldade. Para sustentar o grande império e conseguir o que ambicionam, os dois vão passar por cima de tudo. Até deles próprios.


Resenha


       "Serena"... quando vi esse nome como título do livro, obviamente, imaginei que se tratava da trajetória de uma mulher, no mínimo muito interessante. E isso foi o principal atrativo. Mas nas primeiras páginas percebi que a tal Serena é mais do que isso! Essa mulher é um furacão!

      Mas apesar da personalidade forte da personagem-título, confesso que não me afeiçoei muito a ela. Fiquei admirado, mas não consegui torcer por ela. Talvez o fato de ela e o marido, Pemberton, serem obcecados em derrubar árvores, destruindo a natureza sem dó, em prol da busca incessante pelo poder, tenha influenciado bastante. Mas o fato é que durante todo a leitura torci para que os dois se encrencassem.

        Em compensação, uma outra personagem me conquistou por inteiro: Rachel Harmon. Antes de se casar com Serena, o sr. Pemberton teve um relacionamento com a moça, que engravidou. Mas o cretino nem quis saber da criança, deixando ela e a mãe desamparados. Órfã (Pemberton mata o pai dela durante um duelo na estação, quando ele retorna à Waynesville casado com Serena; e sua mãe a deixou quando era criança), Rachel, com quase 16 anos, cria o pequeno Jacob com muita garra, apesar das imensas dificuldades e o preconceito dos moradores da cidade. Ela conta apenas com a ajuda de sua vizinha, a viúva Jenkins, de seu amigo Joel Vaughn e do xerife McDowell.

      Apesar da galeria de personagens interessantes e realistas, o autor deixou a desejar um pouco na narrativa. Descrições longas e, algumas vezes, irrelevantes deixaram a leitura muito maçante em alguns capítulos. Era um sacrifício continuar a leitura. Acho que essa foi a única coisa que me desagradou no livro.

     No geral, guardarei boas lembranças de "Serena". É uma história forte, densa. Não tem como esquecer. Aliás, inesquecível serão os momentos de descontração dos operários da madeireira dos Pemberton. Snipes, Henryson, Ross e Stewart - espero não ter me esquecido de alguém - são grandes figuras. Seus comentários em relação aos acontecimentos no acampamento, sobre a vida dos patrões e das pessoas que os cercam são hilários, cheios de sarcasmo e ironia.

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