quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

[Resenha] "A Última Camélia", por Sarah Jio

      Com ares de Contos de Fadas, o romance "A Última Camélia" impressiona ao retratar duas histórias que se passam em épocas completamente distintas, mas que se entrelaçam de forma coerente e fascinante.

     A narrativa se intercala entre duas personagens, que no caso identificamos como protagonistas. São elas: Flora e Addison. A história de Flora se inicia em abril do ano de 1940, quando ela viaja para a Inglaterra com o pretexto de fazer um estágio, quando na verdade ela se infiltrará na imponente mansão da família Livingston como babá dos filhos do viúvo Lorde Livingston, para encontrar a última espécime de uma rara camélia. No entanto, Flora apenas sujeitou-se a participar dessa artimanha por estar sendo chantageada por Philip, um mercenário e especialista em roubo de flores raras.

     Na atualidade, Addison é casada com Rex, e esconde um grande segredo em relação ao seu passado. Os dois resolvem passar uma temporada na mansão, que agora pertence aos pais dele. Admirada com a beleza e magnitude do local, aos poucos, Addison se envolve cada vez mais com os mistérios que se escondem pelo jardim e por todos os compartimentos. Ao encontrar um velho livro que pertenceu à Lady Anna (a esposa de Lorde Livingston, que faleceu precocemente de causa desconhecida), os segredos que permearam por todos aqueles anos vêm à tona. Afinal, qual foi a causa da morte de Lady Anna? Que destino levou Flora? Que futuro espera por Addison?

     Apesar do clima sombrio que permeia algumas passagens da história, "A Última Camélia" possui alguns elementos em sua premissa que remetem aos Contos de Fadas, principalmente a história de Flora. Já a de Addison se assemelha aos dramas que costumamos a ver nos filmes e nas séries de televisão. Mas a trama de Flora me surpreendeu muito pela imprevisibilidade, diferente dos contos. E a de Addison me chocou bastante por seu impressionante desenvolvimento.

      Algo que a leitura do romance de Sarah Jio deixou claro foi que segredos sempre deixam rastros que atravessam o tempo, mas que em algum momento, mais cedo ou mais tarde, acabam sendo revelados e deixam de existir. Por mais que se tente escondê-los.

     Sarah Jio me surpreendeu na construção da história, dos cenários e de seus personagens. Ambas as tramas - tanto a do passado, quanto a do presente -, apresentam enredos cativantes. E seus personagens são tão bons quanto a narrativa. Os cenários são incríveis, principalmente a mansão Livingston - que é quase um personagem do livro - que Jio descreve de forma tão esplêndida e precisa, que é impossível o leitor não se transportar para aqueles salões e jardins.

     Após a apreciação de "O Bangalô", as obras de Sarah Jio se tornaram livros obrigatórios na minha lista de leituras. E confesso que mais uma vez me senti extremamente satisfeito. "A Última Camélia" é clássico e ao mesmo tempo contemporâneo. Intrigante, surpreendente e excepcional.

Nota:

    

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